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sexta-feira, 18 de março de 2016

Rompendo com a lógica dos campos: por uma política classista


Em tempos em que conceitos como o de luta de classes e consciência de classe saem do vocabulário e das análises de boa parte dos partidos e intelectuais de esquerda e cedem lugar a teses que enxergam a realidade como dividida em campos (o campo progressivo e o campo reacionário) e ao pragmatismo político, a rendição ao capitalismo como o estágio final da civilização, seja ele selvagem ou "humanizado", os últimos acontecimentos parecem contrariar essa concepção neorreformista. No momento em que os movimentos sociais começaram a se posicionar contra o golpe da direita reacionária, o governo Dilma sanciona a lei antiterrorismo, que pode e será usada contra os movimentos sociais em ocupações de terras e de prédios públicos no futuro ou mesmo em atos de rua durante grandes eventos, por exemplo. Já que não há grupos terroristas no Brasil, essa é a única finalidade de uma lei antiterror no Brasil do ponto de vista da burguesia. A maior parte da burguesia agora se coloca contra Dilma e Lula e a favor do impeachment, um golpe institucional, parte do processo de golpe judiciário-parlamentar, que começa com a intervenção judicial na disputa política nacional apoiada por manifestações de rua de massas fascistas de classe média e da classe alta e culmina no golpe parlamentar que é o impeachment sem base jurídica suficiente; mas essa mesma burguesia pró-impeachment apoia o ajuste fiscal do governo federal, do governo PT-PMDB, e a retirada de direitos sociais dos trabalhadores brasileiros. A defesa da democracia passa também pela defesa dos direitos sociais, porque, do ponto de vista da classe trabalhadora, a democracia é a democracia política, mas também a democracia social; a Constituição sem os direitos sociais é uma Constituição liberal, não democrática, e a democracia, uma democracia formal. A defesa da democracia passa também, evidentemente, pela luta contra o impeachment, contra o golpe fascista do setor derrotado nas últimas eleições e que não respeita a soberania popular. E, por fim, a defesa da democracia passa pela luta contra a lei antiterrorismo e a defesa dos direitos civis e políticos, das liberdades fundamentais. Nesse sentido, é preciso unir as centrais sindicais em luta, cada uma mobilizada no seu campo político (esquerda governista e oposição de esquerda) para a construção de uma Greve Geral, uma mobilização que necessariamente irá se enfrentar tanto com o governo como com a oposição de direita encabeçada por PSDB-DEM-PPS, pois os eixos principais e que resumem o programa da burguesia para o país hoje e, portanto, o foco da resistência popular são contra o ajuste fiscal, contra o impeachment e contra a lei antiterrorismo. É preciso unir CSP-CONLUTAS, CTB e CUT em torno dessas bandeiras. No campo eleitoral, a oposição de esquerda deve abandonar o sectarismo existente entre as organizações que estão na oposição de esquerda e construir uma Frente de Esquerda e Socialista entre PSOL, PSTU e PCB para as eleições municipais de 2016 para eleger vereadores socialistas em todo o país e fortalecer a luta dos trabalhadores dentro e fora da institucionalidade, conscientizando também os explorados e oprimidos da necessária independência de classe. Somente com uma política classista e um programa socialista somados ao esforço de unir a classe trabalhadora, a juventude e os setores oprimidos da sociedade será possível derrotar o atual golpe judiciário-parlamentar e a construção de um Estado Policial em nosso país, bem como o aprofundamento e radicalização do projeto neoliberal contra os direitos sociais do povo trabalhador e a barbárie fascista que começa a se manifestar na agressão sistemática de militantes e organizações de esquerda. Para fortalecer os movimentos sociais, sua unidade e a democracia dos trabalhadores contra a barbárie neofascista e neoliberal devem ser organizadas em todas as cidades do país em que isso for possível Assembleias Populares dos Movimentos Sociais, Estudantis e Sindicais para debater, decidir e organizar as pautas e as lutas necessárias para derrotar a classe capitalista brasileira, que é apoiada pelo imperialismo estadunidense, em sua ofensiva contra as classes subalternas. Isso é ainda mais importante num momento em que a situação política brasileira é marcada por um equilíbrio catastrófico, em que nenhum dos campos (Frente Popular e Oposição de Direita) em disputa são capazes de derrotar o outro, o que tende a levar a uma saída bonapartista, cesarista, autoritária, fascista para a crise, como ensina o marxismo e como ensina a história do século XX; o vazamento da informação, pelos próprios veículos da grande mídia, de que militares de alta patente conversariam nos bastidores com autoridade civis se colocando à disposição de agir para manter a ordem pública se necessário,os pedidos de intervenção militar nos atos da direita e o papel desempenhado pela mídia burguesa, o Ministério Público e o Judiciário com medidas de provocação gerando uma situação de conflito social aberto devem acender o sinal de alerta.O perigo é real. Só a mobilização independente da classe trabalhadora contra os patrões e o aparato repressivo de Estado poderá levar à vitória.

GREVE GERAL CONTRA O AJUSTE FISCAL, O IMPEACHMENT E A LEI ANTITERRORISMO!
FRENTE DE ESQUERDA E SOCIALISTA PARA AS ELEIÇÕES MUNICIPAIS DE 2016!
FORMAÇÃO DE ASSEMBLEIAS POPULARES NOS BAIRROS E CIDADES DO PAÍS UNINDO OS MOVIMENTOS SOCIAIS E AS LUTAS! DEMOCRACIA DIRETA E PODER POPULAR!

quarta-feira, 16 de março de 2016

Currículo atualizado

RAFAEL ALVES ROSSI

FORMAÇÃO
·         Graduado em Bacharelado e Licenciatura em História. UFF, conclusão em 2008.
·         Mestrado em História Social Antiga pela Universidade Federal Fluminense, orientador Ciro Flamarion Santana Cardoso, conclusão em 2011.
·         Especialização em Filosofia Moderna e Contemporânea pela Faculdade de São Bento do Rio de Janeiro, orientador Vinicius de Carvalho Monteiro, conclusão em 2013.

EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL
·         Professor de História efetivo da Prefeitura do Rio de Janeiro (em exercício).
·         Professor de História efetivo da Prefeitura de Itaguaí (em exercício).

QUALIFICAÇÕES E ATIVIDADES PROFISSIONAIS
·         Participação do VIII Encontro dos Professores “Compartilhando e Construindo Ideias” da Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Itaguaí como palestrante do tema “O papel da indústria cultural na alienação do tempo livre: o atrofiamento da fantasia e a mercantilização do ócio”.
·         Apresentação de comunicação no XXI Ciclo de Debates em História Antiga “Tempo e História”, realizado pelo Laboratório de História Antiga (LHIA) do Instituto de História (IH) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com trabalho cujo tema era “As Revoltas de Escravos na Roma Antiga e o seu Impacto sobre a Ideologia e a Política da Classe Dominante nos Séculos II a.C. a I d.C.: os Casos da Primeira Guerra Servil da Sicília e da Revolta de Espártaco”, em 2011.
·         Coordenação de uma mesa de comunicações no XXI Ciclo de Debates em História Antiga “Tempo e Espaço”, realizado pelo LHIA do Instituto de História da UFRJ, em 2011.
·         Parecerista ad hoc para o volume 4, número 1, da Revista Roda da Fortuna.2015.

PUBLICAÇÕES
·         Luta de Classes na Antiguidade. 1.ed. Rio de Janeiro: Multifoco, 2015.(Artigos de História).
·         Depois da Meia-Noite. 1.ed. Rio de Janeiro: Multifoco, 2013.(Contos de terror).
·         À Flor da Pele. 1. ed. Rio de Janeiro: Multifoco, 2013. (Contos e poemas eróticos).
·         Poemas de Pedra e de Rosas. 1. ed. Rio de Janeiro: Clube de Autores, 2013. (Antologia poética).
·         Estado Independente. 1.ed. Rio de Janeiro: Clube de Autores, 2013. (Biografia).
·         Escritos Políticos. 1.ed. Rio de Janeiro: Clube de Autores, 2013. (Textos políticos).
·         Espírito Punk: Xerox do Blog. 1.ed. Rio de Janeiro: Clube de Autores, 2011. (Político/filosófico/poesia).
·         Toda Poesia. 1.ed. Rio de Janeiro: Clube de Autores, 2010. (Poesia).
·         Queda Livre – Tudo aquilo que ficou para trás. 1.ed. Rio de Janeiro: Clube de Autores, 2010. (Poesia/crônica).
·         Poesia e Revolução. 1.ed. Rio de Janeiro: Clube de Autores, 2009. (Poesia).
·         O “Príncipe Tirano” e a “Democracia Militar” no projeto de construção de um Império Universal de Alexandre, O Grande e de Júlio César. Revista História e Luta de Classes, v.9, p.85-90, 2013.










Meu currículo mais recente (de professor, pesquisador, escritor)

RAFAEL ALVES ROSSI


FORMAÇÃO
·         Graduado em Bacharelado e Licenciatura em História. UFF, conclusão em 2008.
·   Mestrado em História Social Antiga pela Universidade Federal Fluminense, orientador Ciro Flamarion Santana Cardoso, conclusão em 2011.
·     Especialização em Filosofia Moderna e Contemporânea pela Faculdade de São Bento do Rio de Janeiro, orientador Vinicius de Carvalho Monteiro, conclusão em 2013.

EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL
·         Professor de História efetivo da Prefeitura do Rio de Janeiro (em exercício).
·         Professor de História efetivo da Prefeitura de Itaguaí (em exercício).

QUALIFICAÇÕES E ATIVIDADES PROFISSIONAIS

·    Curso de Preparatório de Voz e Canto (FAETEC-CEI/Quintino, carga horária de 192h, conclusão em 1999).
·        Apresentação de comunicação no XXI Ciclo de Debates em História Antiga “Tempo e História”, realizado pelo Laboratório de História Antiga (LHIA) do Instituto de História (IH) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com trabalho cujo tema era “As Revoltas de Escravos na Roma Antiga e o seu Impacto sobre a Ideologia e a Política da Classe Dominante nos Séculos II a.C. a I d.C.: os Casos da Primeira Guerra Servil da Sicília e da Revolta de Espártaco”, em 2011.
·   Coordenação de uma mesa de comunicações no XXI Ciclo de Debates em História Antiga “Tempo e Espaço”, realizado pelo LHIA do Instituto de História da UFRJ, em 2011.

PUBLICAÇÕES
·         Luta de Classes na Antiguidade. 1.ed. Rio de Janeiro: Multifoco, 2015.(Artigos de História).
·         Depois da Meia-Noite. 1.ed. Rio de Janeiro: Multifoco, 2013.(Contos de terror).
·         À Flor da Pele. 1. ed. Rio de Janeiro: Multifoco, 2013. (Contos e poemas eróticos).
·         Poemas de Pedra e de Rosas. 1. ed. Rio de Janeiro: Clube de Autores, 2013. (Antologia poética).
·         Estado Independente. 1.ed. Rio de Janeiro: Clube de Autores, 2013. (Biografia).
·         Escritos Políticos. 1.ed. Rio de Janeiro: Clube de Autores, 2013. (Textos políticos).
·         Espírito Punk: Xerox do Blog. 1.ed. Rio de Janeiro: Clube de Autores, 2011. (Político/filosófico/poesia).
·         Toda Poesia. 1.ed. Rio de Janeiro: Clube de Autores, 2010. (Poesia).
·  Queda Livre – Tudo aquilo que ficou para trás. 1.ed. Rio de Janeiro: Clube de Autores, 2010. (Poesia/crônica).
·         Poesia e Revolução. 1.ed. Rio de Janeiro: Clube de Autores, 2009. (Poesia).
·   O “Príncipe Tirano” e a “Democracia Militar” no projeto de construção de um Império Universal de Alexandre, O Grande e de Júlio César. Revista História e Luta de Classes, v.9, p.85-90, 2013.



Livro Luta de Classes na Antiguidade à venda na Sanfer Livros.

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Livro Luta de Classes na Antiguidade à venda na Sanfer Livros.


Sinopse:
O livro Luta de Classes na Antiguidade é composto por dois artigos que discutem o tema da luta de classes no mundo greco-romano. O primeiro é um estudo que trata das revoltas de escravos na Roma antiga, sendo as principais a Primeira Guerra Servil da Sicília e a Revolta de Espártaco, e o seu impacto sobre a ideologia e a política da classe dominante romana, com a mudança no discurso oficial a respeito da escravidão e dos escravos, refletida nos escritos dos intelectuais do império romano na passagem da República para o Principado. O segundo texto trata dos projetos históricos representados por Alexandre, o Grande e Júlio César, elementos divergentes no seio das aristocracias macedônia e romana, respectivamente, e que sustentavam sua tirania a partir da construção de uma democracia militar, tendo como seu principal apoio político a soldadesca, além do apoio popular. 

Poema publicado no Jornal Novidades, do Méier





Um poema meu foi publicado no Jornal Novidades, do Méier, edição de Março/2016. Quem puder, pegue o seu exemplar; é de graça no shopping do Méier.

segunda-feira, 7 de março de 2016

Duas vezes dezesseis: a vida como um ato de vontade

No dia 6 de março, aproveitei a madrugada para refletir (e continuo refletindo) e na tarde de domingo comemorei meu aniversário com minha esposa e meu filho no Jardim Botânico. Isso não tem nada a ver com os fios brancos ou as entradas que se estendem pela minha cabeça abrindo caminho na minha cabeleira, talvez tenha a ver um pouco, mas também tem a ver com a conclusão de uma parte de minha jornada na Terra em que tive que abrir caminho a golpes de marreta. Tudo era urgente e o caminho mais difícil era sempre o melhor, assim eu podia testar meus limites, uma atitude em parte consciente em parte inconsciente, mas sempre presente nos desafios e escolhas da minha vida. Só sei que são muitas recordações e momentos para refletir. Há 10 anos atrás, com 22 anos, eu saí da casa dos meus pais e fui viver com minha companheira, vivendo do meu trabalho, pagando meu aluguel e conquistando minha independência. Há 8 anos atrás eu me casei com a mulher que foi minha namorada dos tempos de colégio, minha companheira de militância, com quem estou há 16 anos, metade da minha vida, metade do meu tempo de vida na Terra, desde 2000; nós nos conhecemos no grêmio da escola e somos ambos professores. É uma pessoa com quem tenho total afinidade intelectual, afetiva e sexual, porque sem isso a vida a dois é bastante difícil. Há 8 anos também comecei minha jornada no magistério dando aulas de História no ensino fundamental. Há 5 anos atrás, com 27 anos, passei pelo momento mais triste da minha vida, quando fui preso numa manifestação contra o presidente dos Estados Unidos, eu e outros, simplesmente porque os governos estadual e federal queriam mostrar serviço para quem de fato manda e porque estávamos portando panfletos e bandeiras, muitos gritaram contra esse atentado à democracia mas nem todos podem saber o que é sofrer uma arbitrariedade dessas, o ato foi no dia 18 de março e no dia 19 de março eu estava  indo preso por 3 dias (tempo de permanência do chefe do imperialismo), esse foi o dia mais triste da minha vida, 19 de março, no mês do meu aniversário. Anos depois, aos 30 anos, há quase 2 anos, vivi o dia mais feliz da minha vida, o dia do nascimento do meu filho, dia 05 de junho de 2014. O momento mais feliz para mim não foi o do nascimento dele, mas quando eu estava conversando com ele no berçário e ele reconheceu minha voz, parou de chorar e olhou nos meus olhos, é uma emoção indescritível. Tudo isso faz parte de mim. Comecei minha adolescência buscando por liberdade. "Liberdade acima de tudo" era o meu lema. O conflito com os pais (que é o conflito de gerações, algo tão antigo quanto a humanidade) e a curiosidade, a criatividade e a coragem de me lançar em várias experiências enriqueceram o meu ser e me colocaram no caminho da autonomia e do autoconhecimento. Os meus 13 anos foram o início do meu caminho próprio. Os meus 16 anos foram o início da minha vida consciente e da descoberta do verdadeiro amor, um momento em que liberdade e felicidade se cruzaram. Os meus 20 anos foram marcados pela afirmação de uma existência autêntica e pela devoção a uma causa, a causa da revolução socialista. O meu lema na minha juventude era "Lutar por justiça"; essa era a minha meta, a minha prioridade na vida, acima da realização pessoal. Hoje eu já alcancei o que podia em termos de liberdade pessoal num mundo de alienação e pertencendo às classes subalternas, à classe trabalhadora. Meu principal objetivo nos dias de hoje é ser feliz, alcançar o máximo de felicidade possível na realidade humana, sempre trágica, sempre limitada. Agora, aos 32 anos, sou, antes de mais nada, pai do Arthur e marido, namorado, companheiro da minha namorada dos tempos de escola e ex-companheira de partido, a minha Pâmela. Na minha juventude, com toda a dispersão e variedade de experiências que marcaram minha vida, foram dois projetos coletivos que tiveram o foco da minha atenção: primeiro, a banda de rock Estado Independente dos meus 13 aos meus 20 anos; depois, dos meus 20 aos meus 27 anos, foi a militância revolucionária no PSTU. Foram 7 anos em cada projeto, em cada grupo, em cada atividade em que colocava minha vontade concentrada. Tenho orgulho da minha trajetória. Tenho orgulho de ter sido liderança estudantil e dirigente sindical, de ter sido vice-presidente do grêmio estudantil do CEI de Quintino/FAETEC, diretor do CA de História da UFF e do DCE-UFF, coordenador-geral do SEPE Regional 2. Tenho orgulho de ter me empenhado em buscar mais conhecimento, em estudar mesmo fazendo tudo isso; fiz mestrado em História Social Antiga na UFF e especialização em Filosofia Moderna e Contemporânea na Faculdade de São Bento. Também publiquei 7 livros pelo site Clube de Autores e 3 livros pela editora Multifoco e é esse o meu caminho no momento; vou com minha vontade concentrada apostar na atividade de escritor. É o projeto pessoal que pode me dar mais o sentido de autorrealização, mais uma fronteira para eu explorar o meu potencial e também um meio de imprimir minha marca positivamente no mundo, com o alcance que puder e que merecer, uma busca de imortalidade desse pobre ateu, uma busca de glória, de um lugar especial na memória dos homens, mas também, num sentido pragmático, a atividade que posso conciliar com minha atividade profissional  atual no ensino básico e com minha vida em família, com tempo para dedicar à minha esposa e filho. Como preciso me mostrar para ter sucesso nesse empreendimento, a busca de me libertar do narcisismo (caraterística psicológica da maioria das pessoas na época contemporânea) instaura uma contradição no meu ser e na minha vida nesse momento e que não pode ser resolvida sem paciência, prudência e inteligência. Essa tentativa de me libertar de todo narcisismo e vaidade, no entanto, não se confunde com um abandono total e completo do ego. O indivíduo é a invenção mais importante da cultura ocidental. A afirmação da individualidade na perspectiva de expandir as minhas potencialidades é uma expressão particular da expansão e desenvolvimento do próprio potencial humano e uma afirmação do humanismo. Quero me afastar ainda de todo o mal e ter como lema agora "Não praticar o mal", na medida do que é possível para um ser humano normal. Ninguém nasce virtuoso; a virtude é uma meta pessoal, assim como a utopia é uma meta coletiva; uma leva à existência plenamente racional, moderada e equilibrada e outra leva ao bem comum e ao reino da liberdade. Nasci no dia 6 de março numa terça-feira de Carnaval, sob o signo de Peixes, ascendente em Touro, lua em Áries, meio-do-céu em Aquário e sol na casa 11. Esse é meu mapa astral, mas não é meu destino, é só uma marca quanto tantas outras. Também nasci com asma e epilepsia, mas nunca permiti que isso significasse um obstáculo intransponível. Faço agora o dobro de dezesseis, duas vezes dezesseis, e fiz da minha vida um ato de vontade; criei a mim mesmo. Fico feliz de ter tido os companheiros de luta que tive nas batalhas políticas que travei. Fico feliz também por ter tido magníficos companheiros de viagem em todos os momentos desses trinta anos. O meu impulso de liberdade me permitiu iluminar os caminhos por onde passei, como o fogo que afasta as sombras e os medos e abre caminho na noite. O meu impulso erótico me permitiu construir laços sólidos e amplos de amor e de amizade e agradeço ao destino por essa sorte. A minha agressividade sublimada, canalizada para objetivos racionais serviu de combustível para a minha vontade. A minha paixão pela vida me permitiu aproveitá-la nos melhores e nos piores momentos. Minha energia, essa quase inesgotável energia física e mental (agora nem tanto!), também me permitiu superar as dificuldades que surgiram pelo percurso. Quero ter a sabedoria, a virtude e a coragem suficientes para seguir numa existência ética e autêntica, sendo o que é preciso ser em momentos de confusão como o que vivemos: uma reserva moral, uma luz para o futuro; como pai e professor esse é meu dever. Aprofundar o autoconhecimento e o autocontrole, mas jamais negar a verdade, mesmo pela necessária diplomacia em nome do contrato social. Não sou religioso, mas busco iluminação. Talvez até o fim da vida, até o fim dos tempos, mas hoje eu vivo e luto, e vou dirigir minha ação consciente sobre a vida prática, mesmo me dedicando às tarefas do pensamento; dirigir minha vontade concentrada em direção a um objetivo sem descuidar dos entes queridos e dos princípios éticos. Quisera eu fosse um herói ou um gênio, mas é como simples mortal que enfrento os desafios da vida! Estou pronto. Posso comemorar meus 32 anos com minha paixão dirigida a um objetivo prático e que minha razão me guie.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Rio de Janeiro, te declaro o meu amor!

Eu quase sempre tenho uma postura muito crítica e sou contra o ufanismo e o bairrismo, mas sempre vejo pessoas de outras cidades e estados exaltarem suas terras natais. Eu que sou carioca nascido no Rio sempre vi o Rio de Janeiro das contradições, da beleza e do caos, mas devo admitir que sempre enfatizei a parte do caos, sempre me incomodou o nosso modo malandro de resolver as coisas, essa mania de sempre dar uma de esperto ao invés de buscar a excelência e agir de forma ética; sempre me incomodou a desorganização da nossa cidade e a solução fascista que vez ou outra a burguesia carioca resolve dar para esse caos, impondo a ordem à força e não por meio da formação cidadã dos habitantes dessa bela cidade; sempre me incomodou uma relação promíscua entre os empresários e os políticos, mas também uma relação de toma lá dá cá que muitos da população mais pobre estabelecem com esses mesmos políticos. A maioria das pessoas que enfatiza os aspectos negativos do Rio tende a falar da violência; esse aspecto já me parece construído pela grande mídia. Pois vejamos, a capital do país com maior taxa de crimes violentos é Fortaleza, depois vem Maceió, em seguida São Luís e por aí vai, o Rio de Janeiro está entre as capitais com menor taxa de crimes violentos, na verdade, capitais como Porto Alegre, Belo Horizonte e Brasília são mais violentas que o Rio de Janeiro segundo as estatísticas. Enquanto Fortaleza tem 77 mortes a cada 100 mil, Porto Alegre 40 mortes a cada 100 mil, Salvador 48 mortes a cada 100 mil, Curitiba 32 mortes a cada 100 mil, Belo Horizonte 30 mortes a cada 100 mil, o Rio de Janeiro tem 20 mortes a cada 100 mil. Isso deixa claro que a propaganda negativa do Rio acerca da violência é política: ou serve para legitimar políticas fascistas de proibição de ida de jovens favelados às praias e a opressão policial nas comunidades carentes ou para deslegitimar perante a população governos progressistas como foi o de Brizola no Rio de Janeiro. Seja como for, as imagens de arrastões nas praias do Rio sempre foram uma interessante arma política para a Rede Globo e seus aliados no meio político.
Alguém poderia argumentar: "Ah, então você vai dizer que não existe violência no Rio de Janeiro?". Tem, e muita! Mas boa parte da nossa violência está relacionada ao crime organizado, ao tráfico de drogas, que tem relações com o tráfico internacional, e as milícias, compostas por policiais e ex-policiais, ou seja, agentes do Estado. Furtos e roubos ocorrem no país inteiro, mas essa paranoia da violência é enfatizada somente no Rio de Janeiro, e digo isso já tendo passado por experiências de assalto na rua e em ônibus, mas, sinceramente, duvido que escaparia disso em qualquer lugar do Brasil de hoje. O problema é que o neoliberalismo educou a nossa população num hedonismo, num consumismo e num individualismo que só ampliaram a alienação em relação ao outro, destruíram qualquer ética e romperam os laços de solidariedade que uniam o indivíduo à comunidade. Além desse problema ideológico e moral, há ainda a difusão desse modo de vida, desse modo de agir e pensar pela televisão e pela internet. A televisão é o instrumento de manipulação das massas dos grandes grupos econômicos e culturais e as redes sociais são o ambiente em que predominam o senso comum e o conservadorismo próprios da maioria da massa, fortalecendo as tendências reacionárias de pensamento e a construção de uma opinião pública despolitizada que esmaga o pensamento crítico e todo indivíduo divergente que tenta reagir a esse estado de coisas.
Os ataques midiáticos aos governos do PDT no Rio se devem ao fato de que o Rio de Janeiro foi um dos poucos estados do Brasil que experimentou uma longa permanência da esquerda no poder. Somente o Rio Grande do Sul e a capital Porto Alegre com os governos do PT e o estado do Rio de Janeiro e a cidade do Rio de Janeiro com os governos do PDT se mostraram estados e capitais de oposição à direita dominante antes da ascensão do governo Lula. Com todas as contradições e erros, ainda conseguiram esboçar projetos políticos em âmbito regional mais progressistas do que o PT foi capaz em âmbito nacional. O Rio Grande do Sul é um estado importante do país, mas é mais isolado e não exerce a influência política e cultural sobre a Nação que o estado do Rio de Janeiro exerce. A cidade do Rio de Janeiro, assim como São Paulo, é uma metrópole nacional, mas, embora São Paulo seja uma cidade mais rica, o Rio de Janeiro exerce uma influência internacional maior, será a cidade-sede das Olimpíadas de 2016, um dos eventos internacionais mais importantes do planeta, e é conhecida por suas belezas naturais e pelo seu Carnaval; o Cristo Redentor, que é o principal monumento daquela que é conhecida como a Cidade Maravilhosa, é uma das novas Sete Maravilhas do Mundo, o símbolo da cidade do Rio de Janeiro figura ao lado dos maiores monumentos do mundo. Se não bastasse isso, o Rio tem a maior rede municipal de ensino da América Latina, várias grandes universidades públicas, UFRJ, UERJ, UNIRIO, e tem outras grandes universidades bem próximas como a UFF em Niterói, muitos museus interessantes e importantes para a cultura nacional, como o Museu Nacional de Belas Artes, o Museu Nacional, o Museu Histórico Nacional e ainda abriga a Biblioteca Nacional. Infelizmente, a estupidez de nossos governantes não permitiu a expansão no número de bibliotecas públicas, havendo apenas 12 bibliotecas municipais nessa grande cidade. Outros símbolos culturais do Rio são o Circo Voador e o Sambódromo da Marquês de Sapucaí. É a cidade em que se pode ver o por-do-sol na pedra do Arpoador, andar na Lagoa e nadar e passear pelas praias do Recreio, da Barra, do Leme, de Copacabana, de Ipanema, do Leblon. Sim, é uma cidade bela, mas isso não é ainda o mais importante. Com todos os problemas da sociedade carioca, nós temos aqui uma sociedade aberta, pluralista e democrática, a maioria das pessoas procura praticar a gentileza (a estátua símbolo da nossa cidade é o Cristo, mas o profeta da nossa cidade é o Profeta Gentileza) e sempre se dispõe a dar uma informação, o que não é tão fácil de encontrar quando se viaja por aí, existe racismo, machismo, homofobia, mas em níveis bem menores do que se pode perceber em outros lugares do Brasil; aqui as pessoas se misturam mais: culturalmente e etnicamente. Eu que venho de uma família plural e democrática do ponto de vista étnico, religioso e político me identifico com essa sociedade, pois venho de uma família de ateus, agnósticos,católicos, evangélicos, candomblecistas, umbandistas e kardecistas, de militantes originalmente do PCB, que depois se dividiram entre o PPS e o PDT, e nas gerações seguintes formada de militantes do PT, do PSTU e do PSOL, tendo uma ideologia de esquerda, uma família de pintores, jornalistas, escritores, advogados, músicos, professores, pedagogos, funcionários públicos, profissionais da área de aviação, contadores, taxistas, atores, psicólogos, médicos, historiadores e cientistas sociais, com forte ligação com as artes e com as ciências humanas em sua maioria, uma família de italianos, indígenas, negros, portugueses, cariocas e mineiros, havendo enorme diversidade e essa diversidade eu trouxe para a minha experiência de vida: cantei em banda de rock, publiquei livros de contos, poesias e artigos, militei num partido revolucionário trotskista, fui vice-presidente de grêmio estudantil, diretor de DCE e de Centro Acadêmico e diretor do sindicato de profissionais de educação do Rio, além de ter mestrado em História e pós em Filosofia e ser professor de História. No decorrer de todas essas experiências, experimentei essa cidade, assim como a experimento agora como pai, apresentando-a ao meu filho. A cidade de Niterói foi o meu segundo lar, onde morei por um tempo e vivi as aventuras da juventude e me encontrei politicamente e intelectualmente, uma cidade que está unida à cidade do Rio de Janeiro. E é por tudo isso que declaro o meu amor ao Rio de Janeiro. Apesar de tudo, sou viciado nessa cidade, o meu lar!


Rafael Rossi